Domingo, Fevereiro 03, 2008

Ninfomania

Um deles é escritor
Quando lê seus textos
às vezes pergunta se não foi ela que os escreveu
Bastou um conto, um poema, uma crônica
E ela passou a vê-lo com outros olhos:
Paixão disfarçada em idolatria

Outro é virtual
Ela tem apenas imagens e palavras suas
Mas é tão presente e necessário quanto o ar que respira
Bastou um segredo, um desabafo, uma verdade
E ele permance real
Como se estivesse ali ao lado todos os dias

Já aquele é um menino
Parecem iguais em suas idéias
Apesar dos dezesseis e dos vinte e cinco
Bastou um encontro, um toque, uma carícia
Para arder seu corpo
e esperar pelo encontro que mais queria

E o último é engenheiro
Preferia ser economista
Só isso ela sabe sobre ele
Bastou um gesto, um beijo, uma promessa
E a lembrança do seu nome, do seu rosto
Inundaram suas maliciosas fantasias

Ela deseja todos
e ao mesmo tempo nenhum
Eles a teriam se assim quisessem
ou, talvez, se soubessem
Mesmo assim, uma lacuna ainda lhe angustia

Ela queria todos
em apenas um.

Segunda-feira, Maio 07, 2007

Velha novidade

Antes tudo era novidade, e tudo parecia ser eterno. Com essa premissa, foi fácil abandonar o momento atual em busca do novo de novo, acreditando que sempre teria por perto toda a magia do início. Ficou fácil esquecer, deixar para depois aquela frase a ser dita, aquele gesto a ser feito, em troca de desejos mais recentes, mais imediatos.

Assim, foi lhe escapando como água entre os dedos tudo o que até pouco tempo estava bem ao seu alcance. À medida em que percebeu esta subtração, um vazio foi se apoderando de si. Os novos preenchimentos simplesmente desapareceram e ele não sabia explicar o que havia acontecido. Chegou a saborear o momento com euforia, acreditando ser mais uma nova emoção. E por um lado, até podia ser.

Mas o tempo foi passando cada vez mais depressa e ele se viu completamente só, perdido, longe de seus desejos. Exigia tudo de volta, como era antes. Não entendia como tudo mudara de repente. Queria mais uma chance para curar o arrependimento...

Era chegada a hora de assumir seus erros, seu desdém às tantas coisas que deixara inacabadas. Constatou que não haveria mais como se corrigir. Mas acertar agora e daqui em diante talvez o livrasse da culpa do passado incompleto. E finalmente entendeu: jamais o teria de volta.

Aceitou-se.

Terça-feira, Abril 10, 2007

Fazer acontecer

Seleção de imagens:
Lediana Aquino
Texto:
Oscar Motomura
[http://www.bestreader.com/port/txcomofazeracontecer.htm]
.
.
.
1. Visualize com detalhes, como se tudo já estivesse realizado.
Imagine com detalhes o estado desejado. Essa imagem cristalina é algo que irá naturalmente orientá-lo quanto ao que deve ser feito (como começar etc.).
.
.
.
2. Dê rapidamente o 1º passo.
Confie nos "lampejos" que você tem. Se você sente confiança interior (não pense em explicar) aja sem hesitação e dê o primeiro passo. A natureza fará a seqüência acontecer (outros passos seus e de outras pessoas que você toca no primeiro movimento).
.
.
.
3. Faça tudo "de corpo e alma".
Não seja "morno" "fazendo por fazer". Até o "impossível" se torna possível quando nos envolvemos integralmente.
.
.
.
4. Faça tudo com muita boa vontade e prazer.
As probabilidades de dar certo aumentam tremendamente quando fazemos tudo com a mente alegre.
.
.
.
5. Seja otimista.
Não se deixe influenciar pelos cínicos e pelos pessimistas. Ajude a construir o ideal, a cada dia dando o passo do dia.
.
.
.6. Concentre-se nos seus pontos fortes.
Ao invés de se deixar bloquear por eventuais pontos fracos, ancore-se no que você tem de melhor.
.
.
.
7. Concentre energia.
Evite desperdiçar energia fazendo as coisas "de forma picada", ou começando muitos projetos sem nada concluir.
.
.
.
8. Decole e vá aperfeiçoando em pleno vôo.
Planeje o suficiente. Evite "afogar-se" em "planejamentos que nunca terminam" ou planos que nunca saem do papel.
.
.
.
9. Esteja sempre focado na busca de soluções.
Use sua energia na busca de soluções ao invés de desperdiçá-la lucubrando somente sobre problemas.
.
.
.
10. Crie condições favoráveis.
Procure trabalhar as barreiras positivamente até que elas se enfraqueçam ou desapareçam ao invés de tentar atravessá-las à força.
.
.
.
11. Seja natural.
Não seja derrotado pelo "excesso de esforço". Faça o que tem que ser feito e mantenha a tranqüilidade interior. Dê espaço para a natureza também fazer a sua parte...
.
.
.
12. Pense sempre nos riscos e nas recompensas.
Não se deixe imobilizar pelos riscos. Equilibre sempre tentando visualizar as recompensas possíveis. Uma vez que o balanço lhe pareça equilibrado, aja conforme sua intuição.
.
.
.
13. Neutralize os "palpiteiros inconseqüentes".
Não se deixe influenciar por "opiniões" irresponsavelmente colocadas pelos outros. Aprenda a distinguir conselhos sábios, bem intencionados de comentários "rotineiramente" jogados pelas pessoas.
.
.
.
14. Evite lucubrar.
Não desperdice energia lucubrando demais, principalmente se forem especulações negativas. Ao invés disso, comece a caminhar, mesmo através de um pequeno passo.
.
.
.
15. Seja transparente.
Nem sequer pense desonestamente pois isso drena sua energia. (Já imaginou quanto de energia gastamos, para "proteger" a mentira contada ontem?). Ser transparente multiplica energia. Energia que faz acontecer.
.
.
.
16. Seja generoso.
"A generosidade move montanhas". As coisas fluem melhor à sua volta porque a generosidade faz agir. "Picuinhas", ao contrário, imobilizam as pessoas.
.
.
.
17. Aja sempre numa postura ganha-ganha.
Evite a postura do tirar vantagem de tudo. Aja pensando em benefícios para todos. As coisas passam a acontecer com mais fluidez.
.
.
.
18. Confie 100% em sua força interior.
Fazer acontecer exige fé. Principalmente em si mesmo. É essa convicção que o deixa solto para fazer o que é necessário.
.
.
.
19. Busque excelência, sempre.
Um fazer acontecer efetivo deve sempre estar ancorado na busca do melhor, do perfeito, do ideal. Quão próximos chegaremos à perfeição é outra coisa. O alvo, porém, deve sempre ser a perfeição.
.
.
.
20. Chute acomodação e "imobilismo" para longe de você.
A capacidade de fazer acontecer é algo para ser aperfeiçoado pela vida toda. Não se acomode. Procure sempre melhorar seu próprio recorde.

Quinta-feira, Abril 05, 2007

O futebol é uma caixinha de surpresas

Era uma quarta-feira, 26/05/2004. Fui ao Estádio Castelão assistir ao jogo Ceará x Brasiliense pelo Campeonato Brasileiro - Série B. Lembrei de minha infância, quando meu pai levava a criançada toda da família para assistir aos jogos do também alvinegro ABC de Natal-RN. Em Fortaleza era a minha primeira vez.

Quando vi a multidão se reunindo, a impressão que me veio foi a de que os torcedores que vão ao estádio poderiam ser comparados, por exemplo, aos fãs de uma banda de rock indo toda semana ao show: todos convergindo para um único lugar, cada pessoa ligada à outra por um ponto em comum: ver o time do coração ganhar a partida, da mesma forma como um rockeiro quer ver sua banda preferida apresentar um show espetacular.

O Castelão parecia mesmo uma festa! A torcida do "Vovô" - alcunha dada ao time pelo fato de ser o clube mais antigo do Ceará - compareceu em peso. Fala-se da bilheteria recorde dos jogos da Série B: 33 mil pessoas, todos torcedores do Ceará. Nenhum do Brasiliense.

O Ceará ocupava a 4ª colocação no campeonato. O Brasiliense, a 2ª. Mas a diferença de pontos era tão pouca que, quem ganhasse naquela noite assumiria a primeira posição. O Ceará jogava em casa e vinha de uma vitória de virada contra o Náutico em plena Recife. A festa da torcida estava bonita. Cada lance bem feito era aplaudido e comemorado.

O Ceará não saía do ataque. Mas o Brasiliense também não saía da defesa. O juiz, coitado, levou tanto palavrão por cada falta que deixava de marcar a favor do time da casa... Mas, parecia mesmo de propósito, era só alguém do Brasiliense pegar na bola, e um jogador do Ceará chegar perto, e o juiz apitava! E só assim, depois de jogadas paradas, é que o Brasiliense desenvolvia os passes.

Porém, como diziam os espectadores, "O Ceará tem goleiro!" Nas poucas vezes em que foi ameaçado, o goleiro do "Vovô" estava lá defendendo, e bem!

Mas os torcedores também se enraiveciam e xingavam a cada erro visto. Era um paradoxo: louvavam, em um dado momento, um jogador que, minutos depois seria chamado de "cego!", "surdo!", "burro!", sem falar nos palavrões.

E o jogo todo permaneceu assim. Até que, no meio do 2º tempo, quase fizemos um gol. Houve quem viu a bola entrar e até comemorou. Mas foi só um golpe de vista. A bola foi para a linha de fundo! À torcida, restou aplaudir novamente o quase-gol.

Logo em seguida o juiz finalmente marca uma falta para o Ceará. E dentro da área! É pênalti!!! A torcida já comemorava, nem precisava bater. Todos já tinham certeza do placar 1 x 0 e antecipavam a festa que ia ser logo após.

Alguns segundos antes do lance os torcedores calaram-se e ficaram todos de pé, esperando o apito. Eu nem consegui ver o lance, diante de tanta gente à minha frente impedindo a visão. De onde eu estava, só conseguia ver o goleiro do Ceará. Fixei-o com o olhar: dependendo da reação dele, seria gol, ou não. E o que vi foi ele pôr as mãos na nuca, e baixar a cabeça, decepcionado. O Ceará acabava de perder a chance de vitória. Todos se sentaram calados, desconsolados...

33 mil pessoas em silêncio, inclusive os jogadores. Dava para ouvir o pensamento em comum que ecoava no ar: "Não podia ter perdido!"

Faltava pouco tempo para encerrar a partida... O jeito era segurar as pontas até o final.

E enquanto todos já se conformavam com o empate sem gols, e o pontinho importante a ser conquistado na tabela do campeonato, de repente um GOL! Do Brasiliense...

"Quem não faz, leva!", gritavam. Nessa hora, quem já estava decepcionado ficou tão triste que o "amor" transformou-se em "desprezo"... Muitos se levantaram e simplesmente foram embora, abandonando o time e o resto da partida.

Aqueles eram os 2 últimos minutos de jogo. Não havia tempo para mais nada. O juiz apitou e apontou o centro do campo, encerrando a partida. Final: Brasiliense (atual líder do campeonato) 1 x 0 Ceará (que depois dessa, caiu para o 6º lugar).

Foi aí onde observei a capacidade que os homens têm de se entristecerem, de emudecerem e se chatearem com algo... Às vezes os achamos tão duros, incapazes de demonstrar o que sentem e pensam. Mas ali no estádio, eles se tornam absurdamente transparentes. Descarregam lá os extremos de suas emoções: da euforia à decepção, da esperança otimista ao desconsolo, da alegria à desanimação...

A volta pra casa foi desestimulante. Ouvi muitos dizerem que nunca mais viriam ao estádio. Culpavam o técnico que escolheu um jogador que, até a partida anterior era reserva, para bater o pênalti; insistiam em xingar o juiz que parecia mesmo ter favorecido o time vencedor. Outros reconheciam que o Brasiliense mereceu, afinal era mesmo melhor time. Havia também quem concluía que o problema, mesmo, era torcer pelo Ceará...

Apenas um comentarista na rádio chegou a dizer que o Ceará havia sido o ganhador moral do jogo, só faltou o gol... Mas isso não servia de consolo para ninguém...

E eu olhava para aquilo, meio sem entender... Afinal, tudo não passava de um jogo, um esporte, uma atividade de lazer, de entretenimento. O pessoal parecia levar tudo muito a sério!

Devo ter sentido sensação semelhante a quando os homens não compreendem quando nós, mulheres, vemos aquele sapato numa liquidação e decidimos comprá-lo no dia seguinte, e voltamos para casa de mãos vazias porque o estoque havia esgotado. Tristes e desoladas, pensamos: “Não podia ter perdido...”

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Silêncio escrito

Papel em branco
Caneta em riste
Mão trêmula

Do rosto, escorre uma gota
Suor, lágrima, sangue?

Desisto.

Quarta-feira, Setembro 13, 2006

Homônimos - 2ª Versão

João Pereira da Silva,
negro,
34 anos,
é ladrão.

João Pereira da Silva,
branco,
28,
é ladrão.

Os pais de "João negro" são
Pedro Pereira da Silva e Maria Pereira da Silva.

Os pais de "João branco" são
Pedro Pereira da Silva e Maria Pereira da Silva.


"João negro" foi condenado a um ano de prisão
por ter furtado uma carteira com R$ 10.

Está na cadeia há quase dois anos.


"João branco" foi condenado a três anos e meio
por roubar, com uma arma, R$ 162.

Ficou seis meses na cadeia e fugiu.


"João negro" cumpre a pena no lugar de "João branco".

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Homônimos

João Pereira da Silva,
negro,
34 anos,
é ladrão.

João Pereira da Silva,
branco,
28,
também.

Os pais de "João negro" são
Pedro Pereira da Silva e Maria Pereira da Silva.

Os pais de "João branco",
também.


O primeiro foi condenado a um ano de prisão
por ter furtado uma carteira com R$ 10.

Está na cadeia há quase dois anos.


O segundo foi condenado a três anos e meio
por roubar, com uma arma, R$ 162.

Ficou seis meses na cadeia e fugiu.


"João negro" cumpre a pena no lugar de "João branco".

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

Mistério

Não quero desafiar
quem queira desvendar
os meus sentimentos.

Apenas digo que
nem eu mesma sei
onde eles estão.

Talvez não sejam tão firmes
tão fortes, ou permanentes.
Só sei de sua intensidade.

Às vezes eles dormem
e despertam sem aviso.
Eu também os procuro.

Nas minhas paredes, barreiras...
Portas e janelas,
fechadas e abertas.

O sorriso sincero que transmito
quer dizer sempre mais
do que eu gostaria.

Mas por não saber
o que transparecer
Outros gestos seguem.

E transformam-se em verdades
às vezes vazias,
às vezes belas.

Porém, sei que não sou eu ali.
Queria poder dizer
Queria poder mostrar

Mas apenas sinto...

Sábado, Julho 08, 2006

Pouco...

Um dia é pouco para fazer o que precisa ser feito

Uma semana é pouco para chegar ao ponto

Um mês é pouco para cumprir a meta

Um ano é pouco para realizar o sonho

... Tempo

Sexta-feira, Junho 23, 2006

O olho de fora (inacabado)

Uma janela
O mundo inteiro ao redor
Cenas, pessoas, episódios

Anjos se perdem
em meio à multidão
Mas são capazes
de perceber
Detalhes invisíveis

E por isso carregam
consigo
o fardo do mundo.

Eu sou um deles
Um anjo perdido

(continua...)